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Livre

É natural tanto para Cheryl Strayed (interpretada de maneira excelente por Reese Witherspoon) ou para você leitor, que quando a vida aperta e as coisas não andam dando muito certo, que a gente saia por aí, para dar uma caminhada e espairecer a cabeça. Os problemas que afetavam Cheryl deviam ser gigantescos, afinal, ela resolveu fazer uma caminhada de mais de quatro mil quilômetros por uma trilha que se estende da fronteira dos EUA com o México, até a fronteira do Canadá, a Pacific Crest Trail. Livre é um tocante filme sobre o modo triste com que nos aprisionamos dentro de nós mesmos e a dificuldade que temos de reavaliar qual caminho pegar. Talvez não seja preciso fazer uma trilha gigantesca, como Cheryl, mas quem sabe uma boa caminhada, uma corrida, uma volta de bicleta debatendo com seu maior amigo, e ao mesmo tempo, maior inimigo - você mesmo.

Livre pode parecer de longe mais um daqueles filmes de cinema-auto-ajuda, mostrando ao espectador como encontrar o seu caminho para a felicidade. Dirigido de maneira poética e elegante por Jean-Marc Vallée (Clube de Compras Dallas) o longa é um convite para um passeio ao lado de Cheryl e suas incertezas. No começo não sabemos por que a garota está fazendo a tal trilha e do que está fugindo. Algo aconteceu. Com pequenos flashes o espectador vai pinçando as peças amassadas e quase destruídas do quebra-cabeças da vida e das motivações da protagonista. O longa caminha suave e com ritmo, graças ao um bom roteiro e o ótimo trabalho de montagem. Mas se tudo flui tão bem nesse longa, deve muito ao esforço da talentosa Reese Witherspoon e da sutileza de Laura Dern, que consegue um ótimo resultado mesmo com as poucas cenas em que atua.

O longa pode trazer à lembrança Na Natureza Selvagem, mas a discussão conceitual de Livre vai muito além do escapismo social e capitalista do belo, porém menos tocante, filme dirigido por Sean Penn. Livre é muito feliz só de pincelar o medo e receio de uma mulher, sozinha, andar por aí  em um mundo infestado de homens estranhos e com intenções sexualmente perversas. Por que uma mulher não pode andar sozinha? O tempero feminista do roteiro é na medida certa e nos faz discutir a força da mulher, mesmo extraindo isso a partir das fraquezas de Cheryl. Ela foi ao fundo do poço e caminhou quatro mil quilômetros para começar a sair dele. Uma metáfora simples e elegante para dizer para o espectador: quem disse para você que a saída e solução do seu problema não ia ser difícil? Opa, soou como cinema-auto-ajuda. E daí, eu conheço um monte de pessoas que não conseguem andar nem 10 quilômetros, mas Livre pode ser um bom primeiro passo na caminhada que elas precisam trilhar. Cinema foi feito para transformar a vida de quem o aprecia. Portanto, não só veja, mas seja Livre.



Livre (Wild - 2014)
Direção:  Jean-Marc Vallée
http://www.imdb.com/title/tt2305051/


Gilvan Marçal - gilvan@gmail.com
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