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O Jogo da Imitação

Quem foi Alan Turing? Se você não sabe, devia saber, afinal, se está utilizando um computador ou um celular para ler essa resenha, parte desse milagre tecnológico se deve a esse homem, considerado o "pai da computação". Curioso é que eu mesmo, que desde 1994 estudo e trabalho com computadores (perceba como seu velho, pois a internet só chegou de forma comercial no Brasil em 1995), nunca ouvi falar desse sujeito, que tem apenas em seu currículo a pequena façanha de ter decifrado a codificação por trás das mensagens militares da Alemanha Nazista, durante a Segunda Guerra Mundial. O Jogo da Imitação é uma obra absolutamente fundamental, não só para os nerds de computador saberem que eles tem um pai, mas para que todos saibam que um dos maiores heróis dessa famigerada guerra conseguiu resolvê-la utilizando apenas algumas equações matemáticas. Um gênio muito a frente do seu tempo, tão a frente que foi incompreendido por ser diferente dos demais, ser apenas gay.
   
Dirigido de forma segura e até simples pelo diretor Morten Tyldum (Headhunters) todo o empenho da produção parece focada mesmo em trazer essa instigante história á superfície e informar as pessoas comuns, em que me incluo, sobre a existência do importante trabalho desse gênio matemático. Poxa vida, um filme de matemático deve ser chato a beça, dirá um cinéfilo mais preguiçoso. Mas não é o caso, afinal, há uma discussão social, com relação a homossexualidade do protagonista, que apesar de levemente tocada, propicia boas reflexões. Você sabia que atos homossexuais eram ilegais no Reino Unido na época, e eram passíveis de prisão ou pena de castração química? Portanto, O Jogo da Imitação é muito mais que matemática, criptografia ou a origem da computação.

O longa também serve como veredicto para aqueles que ainda tinham dúvidas do talento Benedict Cumberbatch, que dá vida ao quase robotizado, Alan Turing. Muitas vezes me perguntei: é uma homem ou uma máquina? Curioso é que essa dualidade casa-se muito bem com um teste criado pelo matemático "Teste Turing", usado até hoje para descobrir o nível de inteligência de um programa de inteligência artificial, na qual analisa a capacidade de um computador de pensar por si mesmo. Cumberbatch constrói Alan como algo que não se consegue definir se é de fato humano. A grandiosidade e complexidade da atuação é tão espantosa, que duvidamos mesmo se ele é um de nós. Claro que não é. Mas veja pelo lado bom, por meio desse filme, é possível pensar que as piramides do Egito tenham sido projetadas e construídas por gente, se é que posso chamar assim, do estilo de Alan Turing.

O Jogo da Imitação é um filme correto, justo e bem feito que pode não receber tantos louros quanto mereça, mas cumpri o seu papel de trazer à tona um trabalho que foi inigualável para os rumos da Segunda Guerra Mundial e sem precedentes para a história da humanidade. Afinal, quem de nós, hoje, consegue viver sem o amparo da tecnologia ou da ciência da computação? Você não consegue nem tirar dinheiro do banco, sem que algum computador esteja associado a essa ação. Pena que sua grande máquina, projetada para nos libertar até de uma guerra, mesmo com todos os aperfeiçoamentos atuais, ainda não consiga desfazer as amarras do preconceito. Como ele bem disse: "as máquinas não pensam, apenas tentam imitar o cérebro humano". E ai leitor, você é uma máquina ou um ser humano?  



O Jogo da Imitação (The Imitation Game - 2014)
Direção: Morten Tyldum
http://www.imdb.com/title/tt2084970/

Gilvan Marçal - gilvan@gmail.com
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