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Não Tenha Medo do Escuro


Há uma velha lenda em que as crianças que perdem seus dentes de leite devem deixá-los debaixo do travesseiro para que a Fada do Dente pegue-os, dando em troca moedas. Não Tenha Medo do Escuro incrementa essa lenda mostrando que as fadas não são tão lindinhas assim e o anseio pelos dentes tem um caráter bastante sombrio. Após conferir o filme você irá descobrir por que as crianças pedem tanto para dormir com a luz acessa. Aliás, quando pedirem isso, lembre-se, nunca olhe debaixo da cama.

O longa não se trata de uma refilmagem do telefilme de 1973, mas uma adaptação interessante que utiliza de forma deliciosamente soturna o mundo infantil e a referida lenda da Fada do Dente. Dirigido pelo novato Troy Nixey, o filme aguça os cinéfilos pelo roteiro escrito com participação de Guillermo Del Toro, cujo currículo tem obras assustadoras como O Labirinto do Fauno e A Espinha do Diabo, ambos envolvendo horror e crianças. O grande mérito de Não Tenha Medo do Escuro é a angústia e o temor que causa no espectador, que torce, xinga e tenta alertar a menina Sally sobre a presença das tais criaturinhas. Perceba essa tensão na cena do banho da garotinha. A boa atuação de Bailee Madison, que interepreta Sally, é que eleva o filme de mediano para muito bom.

O longa tem seus pecadilhos. Ele não aprofunda com maior intensidade a relação de Sally e as criaturinhas. O filme acaba perdendo tempo com um psiquiatra que nada acrescenta, um lago cheio de peixes sem utilidade pra narrativa, entre outras cenas dispensáveis. A história poderia ter se concentrado em potencializar o embate entre Sally, o pai (Guy Pearce) e a madrasta (Katie Holmes), sobretudo enfatizando o medo da escuridão. Outro tropeço está no timing para apresentar as tais criaturas para o espectador, que os conhece um tanto cedo demais. Aquilo que não se vê ou que não se sabe o que é, sempre assusta muito mais. Um bom exemplo disso pode ser conferido em O Abismo do Medo.

O filme proporciona uma experiência satisfatória, e até empolgante, lembrando bons filmes de horror da década de 1980, vide Criaturas e O Portão. Fica um quê de frustração,  pois com um pouco mais de esmero Não Tenha Medo do Escuro poderia brilhar na estante entre os clássicos de horror. Mas quem sabe os próximos filmes dessa franquia explorem mais profudamente essas criaturinhas apaixonadas por dentes. Como eles mesmo disseram, “Nós sempre voltamos... nós temos todo o tempo do mundo”.  Portanto, só por precaução, deixe uma luz acessa.



Não Tenha Medo do Escuro (Don't Be Afraid of the Dark - 2010)
Direção: Troy Nixey
http://www.imdb.com/title/tt1270761/

Gilvan Marçal - gilvan@gmail.com 
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