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A Árvore da Vida

A Árvore da Vida busca uma das metas mais inalcançáveis da nossa existência, sintetizar o que é a vida. Poderia até ser mais um filme pretensioso e raso, mais é justamente o contrário, pois somos conduzidos por Terrence Malick. Através do dilemas da família O´brien o espectador é convidado a contemplar um exibição de belíssimas imagens, refletir sobre o que de fato é a vida e também debater o papel de Deus nisso tudo em que vivemos. Difícil acreditar que apenas um filme consiga chegar tão fundo. Você leitor não deve conhecer o cinema feito por Sr. Malick, conhece?

Primeiramente, é preciso pontuar que A Árvore da Vida é um filme difícil, contemplativo, do tipo que é segmentado ao circuito de arte. Seguindo um ritmo lento, o roteiro vai dosando à conta gotas o enredo. Afinal, a vida não é uma prova de 100 metros rasos, como nossa sociedade moderna imagina. A vida é um longa maratona, ou seja, o filme não tem pressa alguma, segue passo a passo.

O primeiro ato é uma miscelânea de belas imagens e pequenas aparições dos personagens, em que a vida começa a ser discutida a partir de uma fatídica e infeliz morte. Logo no começo a filosofia se mostra presente debatendo com o espectador: o que vem primeiro a vida ou a morte, ou na verdade as duas estão dentro da mesma coisa? Malick segue sua jornada utilizando cenas de árvores, do mar, de rios, cachoeiras, geleiras, vulcões e até de nebulosas na galáxia para ilustrar a vida que está diante dos nossos olhos todos os dias e que passamos correndo, à lá Usain Bolt, tentando quebrar mais um recorde mundial. A família mostrada no longa, que analiso como um microcosmo da vida, talvez seja a menor parte do universo em que vivemos, contudo, a parte mais importante. Afinal, vivemos nossa família, queira ou não, como sugere o enredo do filme, todos os dias.

Para quem não é muito afeito ao cinema, dito de arte, segue uma explicação. Imagine um espetáculo de dança do Grupo Corpo. É algo belíssimo, apesar de nem todos compreenderem bem a expressão artística que aqueles movimentos de dança representam. A Árvore da Vida é uma expressão nos mesmo moldes, só que no cinema, portanto, relaxe e curta as lindas tomadas. Além do visual, feche os olhos e sinta a força da música de Alexandre Desplat, que emoldura, ao mesmo tempo, com vigor e suavidade as cenas.

Entretanto, o que me deixou satisfeito foi conferir Brad Pitt de volta a uma grande atuação. Ele é um patriarca duro e autoritário, mas que lá no fundo, só deseja o melhor para seus filhos.  A cena em que ele se desculpa com o filho é ponto ápice do filme. Outro ponto forte é a presença de Jessica Chastain, como a matriarca. Não há como contemplar a vida sem um olhar especial sobre a mulher. Aliás, que mulher exuberante. Há dezenas de cenas dela brincando com os filhos, o que enche os olhos.

Já no fim, o longa me fez lembrar John Lennon, concluindo o óbvio: a única maneira de ser feliz é amar. A Árvore da Vida parece suplicar para que o espectador contemple a vida, ou mesmo, veja as árvores com a mesma emoção e beleza que foi mostrada no filme. Parece estúpido, mas Lennon já dizia isso desde de 1967 e continuamos não prestando atenção, afinal, All You Need Is Love. Parece tão óbvio, mas por que não fazemos o correto então? Talvez Malick nos ajude a responder isso em um próximo filme.


A Árvore da Vida (The Tree of Life - 2011)
Direção: Terrence Malick
http://www.imdb.com/title/tt0478304/

Gilvan Marçal - gilvan@gmail.com -
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