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Brooklyn


Brooklyn até pode ser uma tocante reflexão sobre imigração, assunto em voga atualmente com os conflitos na Síria e refugiados pedindo asilo na Europa. Mas o filme é tão singelo que fala de algo mais comum e que acontece, seja na Irlanda ou em qualquer lugar do planeta, quando uma pessoa resolve sair do mundo em que foi criado para ir criar o seu próprio mundo.

Dirigido com elegância por John Crowley, o filme exibi o peculiar designer de produção de alto nível das produções britânicas, com destaque para o figurino. Quem enche os olhos é Saoirse Ronan, que interpreta Eilis, que a cada trabalho só evolui e encanta. Uma atuação sútil, delicada e que fica ainda melhor com seu par romântico, Tony (Emory Cohen) um descendente de italianos. A cena do jantar com a  família italiana é ótima.

O filme discute uma Nova York que foi lapidada com o trabalho de muita gente de fora. Gente que quis melhorar a vida e também construiu a potência que hoje é os EUA. Já no terceiro ato, o filme muda sua dinâmica discutindo o que é para você um lar. Você pode nascer e viver em um lugar, mas lar é um conceito que você constrói. Quantos pelo mundo deixam suas casas, suas famílias, para viverem uma nova vida em um país distante, numa cidade distante? Brooklyn é sobre isso. Sobre um nordestino que deixa a mãe em Exu, em Pernambuco, para carregar sacos de cimento em obras de São Paulo e mandar um dinheirinho para casa. Ele está em São Paulo, mas Exu está sempre com ele. O mesmo serve para Eilis, pois a sua Irlanda vai onde ela está. Brooklyn é como aquele velho ditado materno: Cria-se os filhos para o mundo.



Brooklyn (2015)
Direção: John Crowley
http://www.imdb.com/title/tt2381111/

  Gilvan Marçal - gilvan@gmail.com
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