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Tudo Pelo Poder

No capítulo 18 de O Príncipe,  Maquiavel argumenta que não é necessário, a um príncipe [leia-se atualmente como governante], possuir todas as qualidades, mas é preciso parecer ser piedoso, fiel, humano, íntegro e religioso já que às vezes é necessário agir em contrário a essas virtudes, porém é necessário que esteja disposto a modelar-se de acordo com o tempo e a necessidade. Tudo Pelo Poder, novo longa dirigido por George Clooney ilustra que apesar do passar dos anos, a política é basicamente a mesma que fora descrita no século XIV, ou seja: contrate uma boa equipe de assessoria, modele que tipo de político/príncipe você deseja ser e o povo ao engolir esse placebo sentindo-se revigorado e curado.

O longa traça a dura jornada final nas prévias para decidir quem será o candidato do Partido Democrata a concorrer a presidência dos Estados Unidos. Poder, imagem, imprensa e alianças políticas se misturam em um roteiro bem balanceado, que deixa um pouco de lado a complexidade do processo eleitoral americano e foca nas relações entre as personagens e as consequências de suas escolhas. É um filme que reflete sobre a política mostrando que na política o que interessa é a lógica eleitoreira.

Clooney já colhera bons frutos passeando nos enlaces entre poder e mídia, no exuberante Boa Noite e Boa Sorte,  e nesse filme aprofunda um pouco mais sua percepção sobre a atual conjuntura política americana. Se no longa anterior a mídia tem um papel ativo criticando a caça as bruxas do Macartismo, nesse a imprensa tem um papel fundamental para a construção da imagem política, mas que é facilmente manipulada como uma marionete. Perceba que a jornalista interpretada por Marisa Tomei tem parcas aparições e quando surge em tela é para questionar alguma pista plantada pelo candidato opositor. O assessor interpretado por Ryan Gosling tem entre seus maiores predicados a facilidade de lidar e direcionar os repórteres para os assuntos que sejam de seu interesse.

Tudo Pelo Poder  tem aquela assinatura temporal, mostrando que esse assunto reflete a atualidade, ao ironizaa ao atual Presidente Obama, com os famosos cartazes estilizados "Yes, We Can" e, sobra até para Bill Clinton. O longa não mostra nada que um bom leitor de assuntos políticos não saiba, mas ao menos nos intriga ao perceber que a mesma fórmula maquiavélica vem surtindo resultado a tantos anos, seja na América, na Europa e no Brasil. Eles vão votar no que você prometer ser. Se você será isso após eleito, aí é outra história. Quem sabe outro filme?


Tudo Pelo Poder (The Ides of March - 2011)
Direção: George Clooney
http://www.imdb.com/title/tt1124035/

Gilvan Marçal - gilvan@gmail.com
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