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Guerreiro

Com a ascensão do Ultimate Fighting Championship (UFC) era natural que chegasse as telonas algum drama de lutadores dessa modalidade. Guerreiro segue a fórmula clássica dos filmes ambientados com boxer, com suas incansáveis sessões de treinamentos, os dramas pessoais e coreografadas sequências de luta. O grande problema do filme é beber demais na estética da série Rocky, e outros filmes sobre boxe, e pinçar superficialmente o mundo do MMA - Artes Marciais Mistas.

O real problema que afasta os membros da família Conlon, os irmãos e o pai, acaba não sendo o combustível necessário para o momento decisivo do filme, a luta final entre os irmãos. Fica um gostinho de "poderia ter sido mais forte, mais intenso", mas fica faltando algo. Quem se destaca é Nick Nolte, como o pai dos lutadores, cuja personagem converge toda a tristeza e rancor dos filhos, por um passado sombrio que, vez ou outra é trazido à tona no roteiro. Algo ruim e doloroso separou essa família, que acaba tendo que resolvê-la em um octógono aos socos e chutes. O contexto para um filmaço estava armado mas, infelizmente, ele não chega a se concretizar.

Curiosamente, Guerreiro fez-me lembrar o inconsistente O Vencedor, cuja a trama é parecida e vislumbrava um bom potencial, mas que acaba soando burocrático e previsível. Para um longa ambientado no mundo do UFC faltou mostrar com maior verosimilhança a dura rotina dos treinamentos desses lutadores. O filme apresenta uma série de treinamentos Made In Stalone, algo que já foi visto em 1976. Só faltou esmurrar um pedaço de carne bovina.  A direção de Gavin O'Connor suavizou demasiadamente a mão, apresentando uma versão MMA sem sangue, de treinamentos suaves e lutas sem grande expressividade. O diretor ainda faz um escolha infeliz ao retratar as lutas com a câmera, muitas vezes, atrás da grade do octógono. Nas transmissões do UFC pela televisão há todo um aparato para que o espectador se sinta dentro da arena da luta, usando assim gruas e câmeras que buscam a batalha entre os lutadores bem de perto. O'Connor escolhe ficar mais distante em grande parte das lutas, o que só é corrigido no esperado embate final dos dois irmãos.

Ainda que tenha seus escorregões, Guerreiro deve ser conferido, sobretudo, por ser o primeiro filme grande a flertar com o cenário do MMA. O drama da família Conlon não é forte o bastante para sustentar a narrativa, mas a angústia do pai (Nick Nolte) ao ver seus dois filhos resolvendo uma questão de familiar aos socos, motivada por sua própria incompetência como patriarca, é de cortar o coração.


Guerreiro (Warrior - 2011)
Direção: Gavin O'Connor
http://www.imdb.com/title/tt1291584/

Gilvan Marçal - gilvan@gmail.com
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