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Biutiful

Há filmes que por mais que ele te convide a ir vê-lo, soa aquela preguiça e você deixa para assistir outro dia. Após dois anos de enrolação me sinto desolado e culpado por ter deixar a beleza de Biutiful tanto tempo guardado. Após o irregular Babel, o diretor Alejandro González Iñárritu (Amores Brutos e 21 Gramas) teve uma briga com seu colaborador e roteirista Guillermo Arriaga, o que levantou a dúvida: E agora, para onde vai o cinema realizado por esse bom cineasta mexicano? Sem roteirista, coube a ele então escrever uma história, que convenhamos, é um lindo e dilacerante conto de amor, vida e morte.

O longa explora o lado suburbano e pobre da Espanha, em que Uxbal (Javier Bardem) esforça-se para tentar viver com seu casal de filhos. Maltrapilho, sujo e claramente desgastado pelos anos, Bardem constrói um protagonista duro, triste e que se sujeita a fazer coisas horríveis para tentar deixar algo aos filhos, mesmo que seja apenas um rígido sistema de educação. Tudo é tão melancólico, que a cada cena fica a nítida impressão ao espectador que Uxbal está no fundo do poço, e não tem como ficar pior. Há meu caro leitor, nada é tão ruim que não possa ficar pior.

Biutiful é o filme ideal para que anda reclamando demais da vida. Compare sua vida com a de Uxbal, se a sua estiver pior, olha, é melhor você procurar ajuda. O mais revigorante ao acompanhar a triste saga do protagonista é perceber que, mesmo com tudo indo contra, ele está sempre tentado melhorar, ainda que seja reatando um casamento falido para criar uma sensação de lar para as crianças. Assim como nós, ele se esforça para melhorar, mas, infelizmente, tropeça em suas limitações. Indicado ao Oscar 2011, Javier Bardem nos brinda com uma de suas melhores atuações. Um roteiro tocante nas mãos de um ator excepcional, sendo conduzido com leveza e sem excessos por Iñarritu, só podia resultar em um filme Biutiful mesmo. Aprendi algumas coisas com Uxbal, pena que minha limitações atrasaram-me em dois anos esses ensinamentos. Se você ainda não viu, está perdendo tempo também.

Nota: Preste atenção como as cenas iniciais do filme são encaixadas com a finais, é primorosamente triste. Se você fechar olhos, você poderá ver e sentir a deslumbrante trilha sonora de Gustavo Santaolalla.



Biutiful (2011)
Direção: Alejandro González Iñárritu
http://www.imdb.com/title/tt1164999/

Gilvan Marçal - gilvan@gmail.com
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