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Deadpool


Não é todo dia que você tem um super herói que faz sexo anal em um filme. Ops, corrijo, ele não faz, ele recebe. A pequena e hilariante cena mostra aos "cuzões de Hollywood" que há espaço para tudo, conteúdo light e hard, e ainda, assim, dá para ganhar bastante dinheiro com filmes com censura mais elevada. Deadpool não é só uma grata adaptação do herói mais fanfarão dos quadrinhos, mas uma aula que é possível ser ousado, divertido e ainda ter um toquinho sentimental, afinal, só fuder não tem graça. Tem que ter uns beijinhos.

É evidente que se você não tiver uns 30 anos, ser um tanto nerd e antenado na cultura pop dos últimos 25 anos, dificilmente você vai conseguir destrinchar todas as dilacerantes piadas ditas pelo boca suja Wade Wilson, o Deadpool. Ou você entendeu a piada com a Negasonic Teenage Warhead (a menina que explode fogo) citando Nothing Compares To You, da Sinead O'Connor? Eu caguei de rir sozinho no cinema nessa hora. O herói vermelho vomita sua língua ácida para todos os lados e mesmo que você não entenda algumas piadas, tamanha sacada pop, elas são tantas que você acaba rindo de outras. Você ri, sente vergonha, volta a rir, arregala os olhos para baita sequência de ação, volta a rir, perde o fôlego numa gargalha escandalosa, suspira e diz: puta que pariu, que cara maluco esse Deadpool.

O sonho de levar Deadpool para telonas começou lá em 2000, bateu na trave em 2004, teve um novo ânimo em 2009 com aparição do mercenário em X-Men Origens: Wolverine e nesse tortuoso caminho Ryan Reynolds nunca desistiu do mascarado vermelho. Todos os elogios e louros que ele vem ganhando pela produção são merecidos e, fiquei fã do cara por acreditar tanto nesse ambicioso projeto. Ele nunca foi um bom ator. Ele sabe e Deadpool faz questão de esfregar isso na cara dele em algumas piadas. Mas eu prefiro um time cheio de jogadores esforçados e comprometidos com o objetivo à um time com um craque e mais dez perebas. Reynolds foi muito foda.

A trama do filme é um fiapo, contando a origem do herói e um eficiente drama amoroso com Vanessa (Morena Baccarin). O diretor estreante Tim Miller não poderia ter tirado uma sorte maior. Eficiente e inteligente ao usar à enésima potência a quebra da quarta parede, a produção nos entrega um Deadpool sempre conversando com o público e nos orientando na narrativa, mas nunca soando pedante. Com uma montagem ágil e uma trilha sonora cheia de velharias (alguém lembra de Salt n Pepa) o longa tem um ritmo maravilhoso.

Deadpool é um ode contra a chatice previsível do cinema hollywoodiano. É um ponto fora da curva. O desafio agora é conseguir ir além dessa novidade hilariante nas próximas continuações e entregar algo, inusitado, ainda mais engraçado, mas que consiga fazer o espectador enxergar mais do que piadas e sarcasmo. Deadpool é um homem com um gigante senso de humor, mas com uma humanidade ainda maior. Está lá, escondido entre uma risada e outra.

Ps.: Há uma cena extra após os créditos com uma ótima referência ao ícone pop da quebra da quarta parede, o clássico Curtindo a Vida Adoidado.

Ps2: E agora Marvel, se fudeu hein?



Deadpool (2016)
Direção: Tim Miller
http://www.imdb.com/title/tt1431045/

  Gilvan Marçal - gilvan@gmail.com
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