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Zootopia: Essa Cidade é o Bicho


Temos em Zootopia: Essa Cidade é o Bicho uma riquíssima animação que utiliza seus personagens para refletir como nós humanos rotulamos as demais pessoas e com isso ratificamos e ampliamos o preconceito na sociedade. Vixe, tema mais complexo para uma animação infantil? Inteligente, denso, divertido, Zootopia é sim para crianças, mas para essa geração inteligente de hoje. Não se assuste se seu filho, sobrinho, ou afilhado tenha que explicar alguma coisa. Eu juro que acho que deixei passar algumas coisas. O filme é tão bom que merece ser visto mais de um vez.

Judy quer se tornar a primeira coelha policial de Zootopia. Já temos logo no início um discurso feminista e uma discussão moderna sopre o papel feminino na sociedade. Mas não é fácil para ela chegar lá. Quando finalmente consegue atinge seu objetivo, ela é conduzida para exercer o posto de policial de trânsito. A pequena orelhuda não se deixa abater e, profissionalmente, como é característico da mulheres, mesmo não gostando da função, dá o seu melhor.

O estupendo roteiro dá uma passo ao nível superior ao nos apresentar a raposa Nick. Sendo uma raposa, ele carrega o fardo de ser visto como um gatuno, um larápio, um mão leve, um espertinho, um ladrão. Mas a história apresenta outra densidade ao mostrar que acreditamos e ratificamos os preconceitos gerados a nós mesmos. Um negro favelado tende a ser um marginal, assim como uma raposa que vai sempre usurpar os ovos do galinheiro? Durante toda a trama Nick reluta e ser algo mais do que aquilo que as pessoas enxergam nele, apenas uma raposa espertinha. Tal relutância é chancelada por Judy, que apesar de ser sua parceira na investigação dos animais desaparecidos, ela ainda tem um pé atrás com ele. Esse medo, assim como parte dos preconceitos, são semeados, infelizmente, dentro de casa. Quem é que dá o spray anti-raposa para Judy assim que ela se torna uma policial? Olha a riqueza dessa animação.

E o filme ainda ousa, dá mais um passo para o  nível mais acima. O plot da investigação policial capitaneada pela dupla Judy e Nick encara uma questão sociológica espantosa: o fato de ter nascido um animal selvagem, quer dizer que eu tenha que me comportar como um selvagem? É nesse ponto que Zootopia: Essa Cidade é o Bicho se distancia das demais animações ao apresentar um debate de suma importância para os atuais tempos de intolerância étnica. Fica ainda melhor quando o roteiro atribui aos governantes a manipulação social para insuflar medos e alimentar preconceitos. Convenhamos, não tem sido fácil ser islâmico após o 11 de Setembro, não acha?

Espera aí, pois não acabou. Zootopia ainda é corajoso ao trazer um ar de suspense noir, típico de filmes policiais. Senti-me em um episódio de Scooby-doo, mas sem os fantasmas e o Salsicha. Zootopia: Essa Cidade é o Bicho de uma maneira simples e até divertida fala de coisa séria e semeia na garotada que pluralidade é bom. Todo mundo pode ser o que quiser ser, basta ralar duro como a coelha Judy ou explorar o que há de melhor em si, como a raposa Nick. Só espero que renda continuações, pois já estou com saudade da dupla, que deve ter sido inspirada em Riggs e Murtaugh, de Máquina Mortifera.

PS.: A cena dos DVDs piratas com Frozen 2 (vende até filme que ainda não foi feito) é das mais hilariantes da temporada até aqui.



Ps.: Citação à Breaking Bad foi muito cool





Zootopia: Essa Cidade é o Bicho (2016)
Direção: Byron Howard, Rich Moore  e Jared Bush
http://www.imdb.com/title/tt2948356/

  Gilvan Marçal - gilvan@gmail.com
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