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Sala Verde


Vamos viver de rock. Formar uma banda punk e berrar ao microfone aquilo que acreditamos. Sem essas bobagens de redes sociais, youtube e o cacete que acabam destruindo a alma do que de fato é a música. Então simbora botar o pé na estrada para descobrir que banda punk que dá dinheiro é só o OffSpring. Diante da triste realidade que, viver de rock and roll é duro, uma banda topa um show um tanto barra pesada, tocando para um monte de neonazistas e skinheads. Convenhamos, para uma banda punk isso não é lá tão complicado. É só se comportar e não dizer que um dos integrantes é judeu. O show rola, ainda que tenso, e tudo sai bem. É pegar o dinheiro e se mandar de volta para a estrada. Ops, esqueci o celular no camarim.... putz, maldito smartphone, ele não valia tudo que viria depois. 

O plot de Sala Verde é arrebatador, uma banda de rock que se mete em uma enrascada no lugar menos propício do mundo. A questão que o ótimo roteiro deixa aos espectadores é: como eles vão sair da tal sala verde? Apesar de todo ar violento que cerca a imagem dos neonazistas, o longa muito bem dirigido por Jeremy Saulnier, foca no impacto psicológico que é saber: estou numa sala sem saída com um monte de skinheads lá fora que querem me matar. O que você faria? Eu, meu querido leitor, ficaria em posição fetal, abraçando os joelhos e chorando pedindo pela minha mãe. Ok, eu sei. Eu sou um frouxo. É justamente para esse tipo de epifania que o longa lhe convida. Adoro filmes de horror, mas sou frouxo mesmo [gargalhadas]. 

Claro que há também um grafismo visual hard, com golpes de facão na jugular, tiros de escopeta à queima roupa e Pit Bulls dilacerando traqueias. Tudo isso muito bem acabado com uma belíssima fotografia, que usa e abusa nos tons de verde, e um eficiente designer de produção. Tem ainda o professor Xavier, digo, Patrick Stewart, como um nazistão velha guarda que comanda tudo, com aquele tom calmo e sereno como quem diz: não adianta, no fim, vão todos morrer mesmo.

Uma arma e a bandeira dos confederados ao fundo. Você acha que vai sair coisa boa aí?

Sala Verde é o típico filme de horror que eu idolatro, pois pinça uma situação possivelmente real e extrai o máximo de horror que ela pode gerar. Eu vivo cobrando isso no gênero. Mais boas idéias e menos groselha. O filme tem seus escorregões [o cara tem o braço quase decepado, sangra igual um porco, mas ainda sim se torna o Chuck Norris], mas não compromete a ótima [melhor dizer péssima] experiência de ficar trancado com esses roqueiros dentro de uma Sala Verde.



Sala Verde (Green Room - 2015)
Direção: Jeremy Saulnier
http://www.imdb.com/title/tt4062536/

  Gilvan Marçal - gilvan@gmail.com
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