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Até o Fim

Lyndon Johnson assumiu a presidência dos Estados Unidos em um rabo de foguete que nenhum outro chefe de estado do planeta teve o azar vivenciar. Após o chocante assassinato de JFK coube a ele gerir as rédeas do governo diante de um marco da história americana: a lei dos direitos civis, um importante passo contra a segregação racial nos EUA. Mas tudo isso era só o pano de fundo para uma batalha ainda maior - vencer as eleições e deixar de ser o vice que assumiu e se tornar de fato, um presidente escolhido pelo povo. Para isso Lyndon Johnson tinha um lema: política é guerra.

Com uma atuação assombrosa de Bryan Cranston, esse telefilme da HBO (não gosto dessa distinção/limitação) é uma obra obrigatória para quem aprecia política e deseja entender melhor o processo de ampliação dos direitos dos negros nos EUA. Em 2015 conferimos um Martin Luther King engajado, em Selma:Uma Luta Pela Igualdade, e aqui, interpretado por Anthony Mackie,  temos um político que entende que, muitas vezes, é preciso recuar para conseguir algo maior lá na frente. Curioso é que a temática racial vem sendo bem discutida recentemente no cinema com Lincoln e 12 Anos de Escravidão.

King e Johnson assinam a lei de direito civis. Não ficou perfeita, mas era um começo.

Lyndon Johnson era um politiqueiro, um tanto sujo (isso não é pleonasmo não?), mas que sabia o papel que tinha naquele cenário pós morte de JFK. Se de um lado ajudava Luther King na questão racial, do outro pedia J. Edgar Hoover (FBI) para grampeá-lo. Confiança é importante, mas é sempre bom checar e ficar acompanhando. Se em Trumbo ficamos boquiabertos com a atuação de Cranston, em Até o Fim veremos ele no ápice. Ops, é bom não estabelecer teto tão cedo para esse sujeito. É a segunda parceria do diretor Jay Roach e Bryan Cranston, que trabalharam juntos em Trumbo.

Até o Fim é uma obra tão delicada e cheia de nuances, que na cena final, com a vitória de Lyndon Johnson nas urnas, ele recebe um relatório do consulado americano no Vietnã. Ele acabara de vencer seus desafios e cairia em um muito maior com a entrada de vez dos EUA na Guerra do Vietnã. Tudo isso com uma direção sútil, com um roteiro primoroso e atuações arrebatadoras. Dá vontade de começar a ver novamente, e ver de novo, e de novo, Até o Fim.

A atuação de Cranston somado com o trabalho exuberante de figurino e maquiagem.


Ps.: Tem uma sacada ótima que brinca com a orientação sexual do todo poderoso do FBI, J. Edgar Hoover, algo que Clint Eastwood já alfinetou em J. Edgar.

Ps2: Sei mais sobre as questões políticas e raciais dos EUA do que a do Brasil. Aposto que você leitor também sabe pouco sobre o abolicionismo no Brasil e a importância de nomes como José Bonifácio e Joaquim Nabuco. Ninguém faz filmes sobre isso aqui, afinal de contas, não é comédia e não pode dar risadas.



Até o Fim (2016)
Direção: Jay Roach
http://www.imdb.com/title/tt2948356/

  Gilvan Marçal - gilvan@gmail.com
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