Header Ads

Sniper Americano

Chris Kyle (Bradley Cooper) é um herói americano. O atirador de elite da Marinha Americana tem no mínimo 160 mortes confirmadas em seu histórico militar durante a Guerra do Iraque. Kyle é um típico cidadão americano, nascido e criado no Texas, portanto, apenas mais um cowboy que serviu bem ao seu país. Basicamente, Sniper Americano fala sobre um cidadão correto, muito eficiente no seu ofício durante a guerra e por conta disso é considerado um herói. E daí? Quantos heróis como Kyle morreram, ou ficaram desmembrados, ou saíram ilesos das recentes guerras no Iraque e no Afeganistão? O que Kyle tem de tão diferente que mereça um filme dirigido por Clint Eastwood, e que o novo queridinho de Hollywood, Bradley Cooper, correu tanto atrás para produzi-lo e atuar? Mesmo após os 132 minutos do filme, eu ainda não consigo responder essas perguntas.

Não se deixe iludir pela poucas estrelas da cotação, pois Sniper Americano é um filme bem feito e eficiente, afinal, é um filme de Eastwood. Contudo, o longa é muito superficial em suas abordagens e soa apenas como um relato da vida do nosso atirador, Kyle. Isso é pouco se tratando de um filme de Eastwood. Ainda que aqui ou ali o roteiro tente brotar algumas pitadas de reflexão, sobretudo dos soldados em relação aos objetivos e importância daquela guerra, o resultado é bem fraco. Nosso herói fica parecendo uma máquina de matar e o filme não consegue ir muito além disso. Quando ele hesita em matar uma criança, algo que não era um problema no passado, afinal terrorista não tem idade, o filme não desenvolve essa camada sentimental do protagonista. E olha que não faltam chances para que isso seja melhor explorado, como no trauma pós-guerra, mas filme insiste numa linha de saudação patriotista a história pouco conhecida do herói Chris Kyle. Pergunto de novo, e daí?

Não tenho nada contra o lindo patriotismos americano e as tremulantes bandeiras que ostentam o orgulho do povo yankee. O problema do longa é não conseguir ir muito além do elogio e agradecimento ao seu herói. Assim como Soldado Anônimo e A Hora Mais Escura falta ao filme profundidade. Explorar mais a fundo os seus temas, como os traumas e a sensação de não pertencimento a vida normal. Fatores esses muito significativos e que seriam essenciais para tentar desvendar as razões que culminam na cena final do longa. Por que eu mataria um herói? Desprezo? Inveja? Ou apenas insanidade? Sniper Americano não consegue mostrar com clareza os horrores de uma guerra. Não propicia grandes reflexões. Falha ao estabelecer um antagonista. E tirando o bom empenho de Bradley Cooper vivendo Chris Kyle, o filme consiste em uma eficiente homenagem a um herói americano. Não direi, e daí. Digo, descanse em paz Chris Kyle.



Sniper Americano (American Sniper - 2014)
Direção: Clint Eastwood
http://www.imdb.com/title/tt2179136/

Gilvan Marçal - gilvan@gmail.com
-
Tecnologia do Blogger.