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Relatos Selvagens

Confesso que sou um sádico cômico e adoro humor negro. Relatos Selvagens deixou-me salivando a cada conto apresentado, alguns excelentes, outros nem tanto. Contudo o mais saboroso é ver que essa ótima e estranha obra conduzida pelo pouco conhecido diretor argentino Damián Szifrón ganhou inúmeros espectadores pelo mundo. Aposto que Quentin Tarantino deve ter morrido de inveja ao ver esse novo petardo do cinema argentino. Veja Relatos Selvagens e tente argumentar contra a afirmação: O ser humano é um animal, que embora pareça ser domesticado, no fundo é o mais selvagem do planeta.

Vamos resenhar cada história - não leia se não viu o filme

Episódio - Pasternak (O Avião) - ★★★
Esse é uma espécie de teaser do que vem por aí, com uma história curta e impactante. Quando as coincidências começam a se juntar, um gosto de fel sobe à língua do espectador e ele pensa: vixe, vai todo mundo morrer. O curta ainda termina com uma ironia espetacular jogando o avião em cima dos pais do nosso vingador, o comissário e ex-musicista, Pasternak.

Episódio - As Ratas (Veneno de Rato) - 
Aqui temos a história mais fraca do filme, de uma vingança em contraposição ao medo e o remorso. Visualmente é impactante, mas comparados aos demais episódios, ele soa até meio bobinho.

Episódio - O mais forte (Briga de Trânsito) - 
Aqui temos um ode à arrogância humana, que se manifesta diariamente por meio do trânsito. Não se trata de uma confusão de tráfego em uma cidade grande, ou uma colisão entre carros, mas uma simples ultrapassagem numa estrada quase deserta. Por tão pouco, os dois brigões viraram menos ainda. A cena da luta dentro do veículo e o enforcamento são o ponto alto do episódio.

Episódio - Bombita (O carro rebocado) - 
Fica fácil contar essa ótima história com a talentosa ajuda do melhor ator da América Latina, Ricardo Darín. Todos temos aquele dia de merda, em que nada dá certo e, para piorar, ainda rebocam o seu carro, que você jura que estava estacionado corretamente. Ah, tenta correr atrás dos seus direitos, se você não acaba parando atrás das grades. Esse episódio dialoga com a ira, sobretudo com o sistema burocrático e tendencioso do sistema político vigente. Parafraseando narrativamente Um Dia de Fúria, o episódio ainda consegue uma rima visual associando o bolo que dá início a todo martírio do protagonista, como o bolo que ele recebe na cena final. A pergunta que não cala é: ele estava ou não estacionado errado? Veja novamente e tente responder.

Episódio - A proposta (O atropelamento) - 
Aqui temos um debate sobre moral e como o homem pode ser vil para manter seu status e poder. Apesar de ser o menos violento, visualmente falando, a violência é explorada por meio da ganância. Um bem sucedido homem de negócios tem que pechinchar até mesmo a compra da liberdade do filho assassino. Apesar de deliciosamente sórdido, esse episódio soou um pouco previsível.

Episódio - Até que a morte os separe (Festa de Casamento) - 
Chegamos então ao ápice, com uma história sensacional, estranha, suja, animalesca e com um final que define muito bem o que é um ser humano: algo inexplicável. Ninguém se vinga tão bem como as mulheres. Imagine descobrir que foi traída no dia do seu casamento e ainda por cima, a tal "vagabunda" (desculpem, elas diriam assim) é uma das convidadas do noivo? Você acha que essa festa acaba bem? Você não tem ideia a maravilha que é essa festa de casamento. A atuação de Erica Rivas, como a noiva, é monumental.


Relatos Selvagens é mais um filme obrigatório do cinema argentino (já são tantos) que a cada dia explora caminhos e alternativas deliciosamente inusitadas e que torço um dia contaminem o cinema brazuca.



Relatos Selvagens (2014)
Direção: Damián Szifrón
http://www.imdb.com/title/tt3011894/

Gilvan Marçal - gilvan@gmail.com
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