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Sicario: Terra de Ninguém

O cinema proposto pelo diretor Denis Villeneuve (Os Suspeitos)fica mais saboroso e instigante a cada filme. Em Sicario: Terra de Ninguém temos uma análise interessante e complexa sobre o combate americano ao narcotráfico. O longa pode desapontar quem espera um filme de ação com tiros e mexicanos mortos. Nada disso. A cara assustada da agente do FBI, Kate Macer (Emily Blunt), mostra bem que o mundo das drogas é muito maior e mais assustador do que aquele que aparece nas sangrentas manchetes dos jornais.

O filme é conduzido de forma lenta e nebulosa, e o espectador sabe tão pouco sobre o que está acontecendo quanto a protagonista, Macer. Essa é uma sensação boa e gradativamente vamos tentando montar o quebra cabeça, mas desconfiando de tudo e de todos. O tiro pode vir de onde se menos espera. Não é a melhor atuação de Blunt, mas ela se entrega com vigor e agarra nossa mão nessa jornada, ainda que ela não esteja muito segura do que está acontecendo.

O grande lance do filme não é descobrir quem é o vilão, mas sim, quem são e o que querem os parceiros de Macer, Matt Graver (Josh Brolin) e Alejandro (Benicio Del Toro). Esse é o grande enigma e, convenhamos, apesar de não surpreender tanto, o final do filme é uma porrada na cara. Não, melhor, um tiro na cara.

Sicario: Terra de Ninguém não é mais um filme sobre narcotraficantes, mas uma reflexão dura de como os EUA atua e, frequentemente, usa ferramentas estranhas para chegar aos seus objetivos. Em um mundo controlado por lobos, não será um cordeiro com distintivo do FBI que vai colocar ordem nele, não acha? Para fazer o omelete, é preciso quebrar ovos. A questão é achar o cozinheiro certo para fazer o serviço que ninguém quer ou não tem coragem de fazer. Como diz o chefão: "Você acha que nós aprendemos com quem o modo como operamos hoje?".



Sicario: Terra de Ninguém (2015)
Direção: Denis Villeneuve
http://www.imdb.com/title/tt3397884/

  Gilvan Marçal - gilvan@gmail.com
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