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Os 33


Eles, Os 33 mineiros, ficaram 69 dias enterrados vivos em uma mina no Chile, há mais de 700 metros de profundidade. O drama que tomou de assalto as TVs no mundo, entre agosto e outubro de 2010, chega aos cinemas de maneira singela, mas sem grande alarde. Apesar de todo furor da imprensa à época, o filme reflete bem como o mundo analisou o acidente: com aquela curiosidade mórbida de ver um monte de trabalhadores pobres quase se matarem por um salário de merda, em um ambiente insalubre e mesmo depois disso tudo que eles passaram, não houve qualquer reparação. Uma trágica novela que entretêm e termina com final feliz.

O longa parece mesmo uma novela, algo que nos é bem característico. Ainda que a diretora Patricia Riggen tenha uma mão pesada e, que por pouco não vira um "dramalhão", Os 33 consegue pinçar a importância e relevância dessa trágica história real, adaptada para o cinema do livro Na Escuridão - A História Do Resgate Dos 33 Mineiros Chilenos, de Hector Tobar. Obras que relatam histórias reais, nem sempre possuem as viradas e ganchos típicos de uma narrativa ficcional, vide o horror sobre mesmo tema Beneath. Alguns espectadores podem achar a trama um pouco arrastada, afinal, eram 33 mineiros, com suas vidas simples, acostumados ao ambiente claustrofóbico e que, grande parte da batalha nesses 69 dias enterrados foi mesmo a angústia da espera e luta contra a fome.

No elenco temos o eficiente Antonio Banderas como líder dos mineiros, Juliette Binoche como uma irmã escandalosa de um dos mineiros e Rodrigo Santoro em uma boa atuação como o ministro da mineração. A conexão entre as personagens de Binoche e Santoro é o ponto alto do filme. Infelizmente, o roteiro explora menos a relação entre os 33 mineiros e acaba focando em alguns poucos, tentando construir mais o conceito de grupo. Não empobrece a história, mas a deixa menos rica.

Os 33 não é um filmaço, mas é um importante relato do drama desses trabalhadores, que arriscam a vida, diariamente, por ouro e cobre para empresas, a cada dia, mais ricas e que não dão mínima para o impacto que eles causam à vida dos seus empregados e para a comunidade ao seu redor. Em 2010 foi em Copiapó, numa mina no Chile. Em 2015, foi em Bento Rodrigues/Mariana, um distrito quase insignificante de Minas Gerais. O segundo, assim como o primeiro, pode até virar filme, mas tenho quase certeza que em ambos os casos, quem passou pelo sofrimento, nunca terá sua vida totalmente reparada. Eles até hoje não foram indenizados e ninguém foi punido. Um filme que mostra bem o atraso terceiro mundista da América do Sul, seja no Chile, ou aqui no Brasil.



Os 33 (2015)
Direção: Patricia Riggen
http://www.imdb.com/title/tt2006295/

  Gilvan Marçal - gilvan@gmail.com
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