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Godzilla

Verdade seja dita, sessenta anos após o primeiro filme do lagarto gigante Godzilla, de 1954, eu queria dar mais do que duas estrelinhas para esse irregular reboot, dirigido por Gareth Edwards (do instigante Monstros). Se há algo para comemorar é que ele é muito superior ao péssimo longa de 1998, de Roland "tudo explodindo" Emmerich (isso lá é elogio?). Apesar de gostar bastante da maneira como o enredo constrói o equilíbrio da natureza no embate entre Godzilla e os dois monstros Muto, os outros adereços do filme deixam a desejar e comprometem um filme que poderia ser mais divertido e deixar o espectador salivando por mais.

Falta a essa nova adaptação o frescor propiciado por Círculo de Fogo, em que, mesmo diante de todas as limitações da trama, entregou uma boa peça de entretenimento. O novo Godzilla já encantava nos trailer, com a presença de Mr. White, digo, Bryan Cranston no elenco. Frustante é que com poucos minutos de projeção esse interessante personagem já está morto. Ok, foi um spoiler, pode me xingar, mas fica pior. A personagem de Juliette Binoche também vai para o espaço rapidamente. Putz, executaram 80% do potencial dramático do longa com menos de um terço do filme e imaginei: vixe, isso não vai acabar bem. Jogaram tudo nas costas do limitado Aaron Taylor-Johnson (Kick-Ass) que não tem muito cacoete para segurar um filmão pipoca desse tamanho. A trama dos personagens se enrola e tropeça e torcemos ao máxima para que as cenas voltem a se concentrar nos monstros. Quando uma boa batalha entre os gigantes está prestes a iniciar, o filme não mostra, como na cena de Las Vegas. É frustrante. Bem mais tarde há o tal confronto, encenado no escuro para esconder as imperfeições da computação gráfica. Frustração parte dois, a missão.

É nesse caminhar trôpego que o novo e irregular Godzilla deve seguir trilhando nas telonas pelo mundo. Sim, já foi anunciada uma continuação. Se foi um grande acerto trazer de volta as origens do largatão sessentão nesse reboot, pena que houve muita pressa para entregá-lo como produto para consumação em massa da platéia, mesmo estando ainda muito cru. Merecia, no mínimo, de mais uns seis meses retrabalhando e marinando o roteiro. Note que o Godzilla é o herói do filme, e não conseguiram transmitir isso com impacto ao espectador. Ou seja, se você não consegue contar claramente para o público quem é o mocinho da história, tem algo de errado, não acha ?



Godzilla (2014)
Direção: Gareth Edwards
http://www.imdb.com/title/tt0831387/

Gilvan Marçal - gilvan@gmail.com
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