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O Dia Antes do Fim

O Dia Antes do Fim repassa uma sombria página da economia mundial utilizando um dia de trabalho de um banco de investimentos em Wall Street antes da grande crise financeira de 2008. Com um elenco espetacular, cada personagem vê-se numa armadilha em que precisa decidir o que é mais importante: a ética, o dinheiro ou salvar a si mesmo?  Em nossa atual sociedade, infelizmente, o mais comum é tentar conciliar os dois últimos itens.

O longa dirigido pelo estreante J.C. Chandor é vigoroso e procura minimizar o uso dos termos e toda a complexidade econômica, enaltecendo o impacto emocional do contexto sobre as personagens. Apesar dos jornais falarem cotidianamente sobre economia, nem todos os espectadores entendem a amplitude do impacto que ela tem sobre nossas vidas. Ou seja, é um trabalho corajoso e árduo falar desse tema no cinema, e o filme acerta em cheio em suas escolhas.

Alguns espectadores desavisados ficarão um tanto perdidos se não estiverem familiarizados com o contexto da crise de 2008 na atmosfera do longa. Entretanto, é possível perceber a mensagem do filme sem saber profundamente sobre a crise, pois o que se explora é a falibilidade humana. A decisão do banco em vender todos ativos provenientes de hipotecas imobiliárias, pode até ter livrado o banco da falência, mas prejudicou muito os Estados Unidos. Não obstante, o diretor Chandor elucida essa dualidade de princípios com um calmo movimento de câmera mostrando uma bandeira americana na parede em uma das salas do banco.

Há diálogos primorosos, como de Will (Paul Bettany) falando sobre sua função no banco e que não se importa se seu trabalho faz os ricos crescerem e os demais perderem. Essa frieza e falta de escrúpulos é também pincelada em outras personagens. Quem se destaca, como sempre, é Kevin Spacey, que interpreta Sam, um alto executivo que passa por um momento pessoal difícil. Em sua primeira aparição na telona, ele está chorando por causa de uma fatalidade, um tumor que acometera sua cadela. Parece não ser muita coisa, mas para Sam, é tudo que lhe restou além do cargo no banco e o alto salário. Perceba como as personagens são compostas de certo vazio existencial, não lhe restando muito, a não ser o trabalho. A cena final de O Dia Antes do Fim, em que Sam vai enterrar sua cadela, sintetiza de maneira sublime toda a sujeira que aqueles bancos promoveram em 2008: eles estavam enterrando a si mesmos e não sabiam. Olhe bem como Sam está escavando a cova. Sensacional.

É muito bom ver temas tão difíceis sendo roteirizados e atores consagrados se engajando nesses projetos. Uma boa maneira de despertar o público a debater mais política e sobretudo, economia, trazendo à tona esse tipo de reflexão. Após conferir O Dia Antes do Fim, vale a pena correr atrás do documentário vencedor do Oscar, Trabalho Interno, de 2010. Você verá que os responsáveis pela baderna da crise de 2008 ainda estão no comando da economia americana.


O Dia Antes do Fim (Margin Call - 2011)
Direção: J.C. Chandor
http://www.imdb.com/title/tt1615147/

Gilvan Marçal - gilvan@gmail.com -
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