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O primeiro longa do YouTube

Eis um interessante caso sobre como filmes podem ser distribuídos.

À primeira vista, "Four Eyed Monsters" seria apenas mais um entre as centenas de filmes independentes que pipocam nos EUA a cada ano. Estréia na direção do casal Susan Buice e Arin Crumley, o longa ficou pronto no final de 2005, começou a rodar o circuito de festivais nos EUA e ficou duas semanas em cartaz numa sala de Nova York.

Mesmo sem um lançamento nacional, o filme rendeu neste ano aos cineastas duas indicações ao Spirit Awards, o Oscar dos independentes. E rendeu também milhares e milhares de dólares em dívidas para Susan e Arin _os dois foram personagens do "New York Times" numa reportagem sobre como falir fazendo cinema.

Cientes de que não conseguiriam uma distribuição nacional e para tentar tirar o pé da lama, os diretores se tornaram os primeiros a colocar a versão integral de um longa-metragem no YouTube, numa promoção com o site Spout, de críticas de cinema escritas por internautas. Funciona assim: antes do filme no YouTube, Susan e Arin explicam seu dilema e convidam os espectadores a se cadastrarem no Spout. Para cada novo cadastro, eles ganham 1 dólar.

O esquema com o Spout foi repetido no MySpace. Até agora, os diretores juntaram US$ 43 mil _a meta é chegar a US$ 100 mil. Além disso, puseram cópias à venda no site oficial de "Four Eyed Monsters", em DVD (US$ 15) ou para download em alta resolução (de US$ 3 a US$ 8).

A iniciativa alimenta ao menos duas questões.

Qual o sentido de exibir um longa no YouTube? Agüentar tela minúscula e resolução meia-boca por 72 minutos (a duração de "Four Eyed Monsters") é tortura para quem gosta de cinema. Susan Buice e Arin Crumley parecem saber disso e usam a exibição no site como um "teaser", uma forma de chamar a atenção para sua obra. A página do filme no YouTube foi acessada mais de 800 mil vezes, e os diretores crêem que uma parte desse público terá interesse em comprar o DVD ou fazer o download em alta.

Numa época em que não há espaço suficiente nas salas para a quantidade de filmes produzidos, será a internet uma forma viável de distribuição comercial? Uma alternativa real, rentável, para longas que não terão espaço nas salas de exibição? Tenho dúvidas, especialmente enquanto houver os programas de compartilhamento gratuitos, os P2Ps. Por que alguém pagaria US$ 3 para baixar um filme que já está de graça, com a mesma resolução, no Emule e nos Torrents da vida? Esse raciocínio vale não só para os filmes pequenos, independentes, mas também para as grandes produções, já vendidas para download no exterior.

A seguir, "Four Eyed Monster", na versão integral. Se você não tiver tempo nem paciência para ver tudo, assista ao menos os primeiros minutos há uma bela seqüência inicial.

Fonte: Folha - Ilustrada no Cinema

Comentário CineSequencia - Disponibilizar o filme na internet é bacana, no que tange a divulgação "gratuita". Se o filme é bom, os realizadores ganham uma ampla visibilidade do trabalho. Com o advento do cinema digital, essa iniciativa irá se multiplicar na grande rede. Haverá muita porcaria, mas também algumas obras de arte. Cabe ao usuário navegar nesse mar de possibilidades.

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