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Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Começo, meio e fim. Toda história é divida em três etapas. Não sei se vem daí a compulsão do cinema por contar historias em três capítulos, as trilogias. A nova série Batman, capitaneada por Christopher Nolan, possui uma infinidade de méritos, na qual seria necessário algumas boas laudas para discorrer. Em, Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, Nolan apresenta uma conclusão eficiente e satisfatória, amarrando todos os pontos deixados nos dois filmes anteriores e apresentando agradáveis surpresas. Contudo, diante do esforço de alinhar toda a história, apresentando um resultado bem exuberante, esse último episódio da saga Cavalheiro das Trevas acaba soando inferior aos demais.

O maior mérito dessa trilogia do Homem Morcego reside na escolha de Nolan em construir um drama focado em um herói de quadrinhos. Os filmes inspirados em HQ produzidos por Hollywood, com exceção do primeiro Superman, exploravam esses heróis muito mais pelo ponto de vista de entretenimento. O espectador pensava: ele é o herói, vai pegar o bandido, beijar a mocinha, e nada vai acontecer de mais grave com ele. A estética do cinema acabou moldando as histórias. Nolan, em Batman Begins, foi buscar a essência sombria do personagem que era mostrada nos quadrinhos, ficando muito distante do visual cartunesco dos filmes anteriores. Já em Batman - O Cavaleiro das Trevas, somos brindados com um vilão voraz e implacável, que mata seus oponentes sem um pingo de pesar e ainda discorre reflexões muito pertinentes sobre nossa atual sociedade. Convenhamos, a atuação surreal de Heath Ledger como o Coringa catapultou a história para um nível nunca antes visto no cinema, no que tange adaptações de HQs. O último capitulo dessa saga nos traz Bane, o vilão responsável por deixar Batman paralítico. Essa foi uma excelente escolha para conclusão da trilogia, afinal, Nolan quebra totalmente a visão que tínhamos sobre filmes com super-heróis.

Não há dúvidas que essa trilogia será lembrada e icônica por muitos anos. Mas Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge não apresenta o mesmo esplendor dos longas anteriores. Era óbvio que Bane seria sensacional ao escalar Tom Hardy para interpretar. Contudo, ao longo do o filme ele soa menos assustador do que Alfred insiste em mostrar a Bruce Wayne. Não posso dizer que isso é uma falha, mas isso acaba diminuindo o tamanho do esforço que Bruce terá que fazer para ressurgir, para superar e escalar a parede de seus medos. Infelizmente, é um pouco sem graça a luta entre Bane e Batman na batalha final. Essa escorregadinha é compensada com a fatídica cena em que Bane quebra o nosso herói morcego. Entretanto, o roteiro tem uma sacada inteligente ao quebrar muito mais que a coluna de Batman. Essa é a tônica do longa. Para cada pequena escorregada, há uma boa ideia para compensar, e o espectador segue satisfeito na narrativa.

Outro ponto muito positivo é a intensa participação dos personagens secundários na história, em que se ressalta a atuação de Joseph Gordon-Levitt, como detetive Blake, e  Anne Hathaway, como Selina Kyle(Mulher Gato). Outro ponto interessante, e que muita gente não entendia, é o que Sir. Michael Caine fazia em um filme de super-herói? Isso fica claro nas duas cenas mais lindas do longa, em que Caine dá um show de atuação. Outro que merece uma nota nessa modesta análise é Gary Oldman, como o comissário Gordon, que em todos os filmes esteve seguro e cuja personagem é essencial para o desenvolvimento dessa trilogia. É um elenco formidável, cujo o roteiro encontra espaço para que cada personagens acrescente algo à narrativa. Um herói de carne e osso, sem super-poderes, não consegue nada sem o apoio de outras pessoas. Essa é a melhor mensagem do filme.

Até poderia me prender a picuinhas, tipo: como Bruce Wayne voltou para Gothan?; e estava claro demais que a personagem Miranda (Marion Cotillard) teria alguma participação surpresa na narrativa; mas, como disse anteriormente, são pequenas escorregadas que foram compensadas com boas surpresas. Fiquei muito feliz ao ver a citação ao Robin. Mas triste, mesmo sabendo que não ia acontecer uma pequena menção ao Coringa.

Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge conclui de forma firme a trilogia. No fundo, eu gostaria de chorar ao final do longa, como bem fez alguns companheiros espectadores durante a exibição. Talvez a maior dificuldade da trilogia foi lidar com o baixo envolvimento emocional do espectador com o drama de Batman. Bane deveria ter dilacerado não só o Homem Morcego, mas também todos os espectadores. Se isso tivesse sido mais pungente, o ressurgimento do Cavalheiro das Trevas fatalmente teria me levado as lágrimas, assim como fiz em O Senhor do Aneis: O Retorno do Rei. Comparações serão inevitáveis, e isso é que mantém o filme vivo por anos nas discussões de bar. Para fomentar mais debates, não teria sido mais interessante que na cena final, Alfred apenas sorrisse, não apresentando a cena seguinte? Caberia ao espectador decidir o final da trilogia, assim como foi proposto em A Origem. Essa é uma deliciosa teoria do crítico Pablo Villaça, em sua ótima análise do filme - Batman: O Pião Continua a Girar?.



Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises - 2012)
Direção: Christopher Nolan
http://www.imdb.com/title/tt1345836/

Gilvan Marçal - gilvan@gmail.com
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