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Super 8



Um grupo de adolescentes pretende fazer um filme sobre zumbis. Aquela velha história de uma idéia na cabeça, jovens entusiasmados e uma câmera doméstica (super 8) na mão. Durante as gravações numa estação de trem, um grave acidente gera o descarrilamento de uma locomotiva. Algo estranho foge de um dos vagões, cuja propriedade é do exército americano. A pequena e pacata cidade passa ser alvo de acontecimentos inusitados, como o desaparecimento de cachorros e aparelhos de micro-ondas.

Ambientado em 1979, Super 8 é uma nostálgica homenagem ao cinema pipoca das décadas de 1970 e 1980 de Steven Spielberg e companhia.  Tem um pouco de ET, Contatos Imediatos do Terceiro Grau, Os Gonnies e Conta Comigo. Parece uma banana split, daquelas sensacionais que serviam antigamente, com todo aquele ornamento com castanhas, calda de chocolate e biscoito. Mas o sabor, infelizmente, não é o mesmo.

A direção de J.J. Abrams concentra-se tanto em homenagear os grandes filmes do passado e esquece de traçar para onde Super 8 precisa ir e o que ele quer depositar no coração dos espectadores. Esse erro fica explícito na relação sem grande integração entre os garotos que estão fazendo o tal filme de zumbis. Não há aquela troca sadia de provocações e diálogos juvenis. Alguns desses personagens adolescentes acabam não agregando nada a narrativa. Será que Abrams assistiu mesmo Conta Comigo? O roteiro prefere se apoiar numa muleta clássica e sem graça, do protagonista que cultiva amor platônico pela mocinha, que é interpretada pela grande surpresa do filme, Elle Fanning. Faça um teste de como o roteiro fracassa ao estabelecer um elo entre as personagens e o espectador. Uma semana após assistir o filme tente lembrar o nome de algum dos personagens. Agora, vou lhe dizer o nome de algumas personagens de um determinado filme e peço que tente lembrar que longa é esse: Bocão, Slote e Willian Caolho. Lembrou? Viu a diferença?

Super 8 funciona excelentemente em seu primeiro ato, com o espetacular acidente de trem e a apreensão de não saber o que realmente saiu do vagão. Enquanto o monstro não aparece, tudo está ótimo, no caminho e ritmo certo. Quando é mostrado, ele acaba sendo muito menos impactante do que o temor que causava. O designer de arte do bichão é muito abaixo do tamanho e magnitude do longa. Poxa, é um filme do J.J. Abrams com produção de Spielberg, era de se esperar um monstro daqueles, para nunca mais esquecer. Infelizmente, a aposta errada acaba arrebentando a força e a conclusão do filme.

É um filme com sabor nostálgico, mas que só faz lembrar como era o gostoso o cinema de antigamente. Os erros só frustram a grande expectativa de espectador ver um clássico como nos velhos tempos do cinema pipoca. Ainda bem que, ao menos a pipoca, continua com o mesmo gosto.






Super 8 (2011)
Direção: JJ Abrams
http://www.imdb.com/title/tt1650062/

Gilvan Marçal - gilvan@gmail.com 
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