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Abraços Partidos

Mateo Blanco (Lluís Homar) é um diretor de cinema, apaixonado pela aspirante atriz Lena (Penélope Cruz). Harry Caine (Lluís Homar) é roteiristas, cego, que tenta viver sem seu grande amor. A semelhança amorosa entre os dois vai além do cinema ou da mesma mulher, pois ambos são a mesma pessoa.

Com essa sinopse surreal, que modestamente construí, tento apresentar um pouco do enredo de Abraços Partidos, sem entregar as surpresas dessa maravilhosa obra-prima (de novo) de Pedro Almodóvar. O Sr. Vermelho Berrante, apelido carinhoso que dou a Almodóvar, acerta ao realizar um filme simples, estéticamente no ponto, com atuações regulares e com um roteiro espetacular. Para quem acompanha a carreira do diretor, percebe-se que gradativamente ele tem amenizado os maneirismos estéticos e investido na dinâmica da narrativa.

O longa inicia-se dividido em duas narrativas, de Mateo Blanco e de Harry Cane, mas que aos poucos vai se condensando na mesma estória. O roteiro conduz o espectador com firmeza e elegância, apesar da estranheza inicial gerada em relação as duas personagens. O espectador vai montando o pequeno quebra-cabeça, junto pistas e colhendo recompensas.Terminado o primeiro ato da estória, o espectador já está imerso nela. O roteiro é o grande mérito do filme.

Penélope Cruz surge menos estonteante do que em Volver, mas entendendo-se como peça coadjuvante desta estória, ela não busca brilhar mais que as duas personagens principais, o diretor e o roteirista. A atuação de Penélope, que interpreta uma atriz, estabele o elo entre os protagonistas. Um elo frágil, que ao longo do filme, mostra como uma pessoa pode ser dividida em duas. A interpretação de Lluís Homar é algo curioso de se debater, afinal, o filme é um tanto quanto carregado por ele. A atuação dele converge toda para a estória e o espectador, hipnotizado por ela, não repara se o ator realizou ou não um trabalho digno de premiações. Méritos ao Sr. Vermelho Berrante (Almodóvar), que conduz com destreza, na medida correta que deseja, os atores com que trabalha. Abraços Partidos é um filme, essencialmente, triste e discreto, e que para tal possui atuações sutis, sem excessos.


Almodóvar, ao que tudo indica, é uma das poucas lendas vivas do cinema atuando em plena forma, atualmente, na sétima arte. A cada novo filme percebe-se que esse gênio-maluco espanhol tem uma visão sobre o mundo, que apesar de fora dos padrões convencionais, nos emociona. É bom ser cinéfilo e acompanhar a carreira de um cineasta que será, certamente, uma lenda. Triste é ter que baixar o filme na web, pois a distribuição no país anda demorando demais.


Abraços Partidos(Los Abrazos Rotos - 2009)
Direção: Pedro Almodóvar

Duração: 128 minutos

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