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Por Água Abaixo

O trailer prometia mais. “Por Água Abaixo” levava jeito de ser uma das melhores animações do ano, mas não cumpriu. Os vários momentos engraçados não escondem o quanto ela se revela perdida em seu roteiro.

Roddy é um rato que vive com uma família humana dentro de uma chique gaiola num bairro nobre de Londres e desce pela descarga até uma espécie de ratolândia no esgoto. Nessa cidade subterrânea conhece Rita, que foge dos vilões comandados por um grande sapo. A partir daqui, tenho até dificuldades de escrever a sinopse justamente pelas confusões do roteiro. O objetivo dos personagens não fica claro e muda a cada momento. Primeiro, Rita quer recuperar, dos vilões, o rubi que pertencia à sua família. Pensamos que a pedra preciosa possui valor emocional para ela, mas depois vemos que a garota procura mesmo é o dinheiro que a peça custa, já que tem uma família numerosa e de origem pobre. Logo depois, o rubi já passa a não ter importância nenhuma e toda a história gira em torno de outro objeto e de um plano maligno, que surge com a exibição já avançada.

Permeado de referências a outros filmes, especialmente os de super heróis e as animações, “Por Água Abaixo” traz a maioria dos bons momentos capitaneada por coadjuvantes: o primo Le Frog e sua trupe de sapos detetives, o capanga Whitey e alguns membros da imensa família de Rita. Contudo, quem brilha mesmo são as lesmas que perpassam toda a trama. Gritam histericamente, cantam em coro e fazem pontuações pertinentes para a história. Bom trabalho de dublagem e de direção, colocando-as de forma inteligente para fazer os efeitos sonoros dentro das próprias cenas.

E já que estamos na Inglaterra, a trilha sonora vem com algumas músicas do bom e velho rock britânico, surpresa feliz para uma animação infantil. Espertos, levam em consideração que boa parte do público de animação continua sendo maior de idade. No início do filme, vemos a rotina de Roddy, que não possui amigos nem família de sua espécie e se diverte com Barbies e Comandos em Ação ao som de Dancing with myself, de Billy Idol, que cai como uma luva naquela solidão.

Os roteiristas conseguem adicionar pitadas de crítica à pompa inglesa, como a cega adoração à família real. Roddy, de smoking, é sempre confundido com um garçom. A lição de moral fica por conta da eterna dúvida: vale a pena ser rico sozinho ou compartilhar da pobreza com muita gente? Surpresas, só mesmo por conta da trilha sonora.

Por Água Abaixo (Flushed Away, 2006)
Direção: Sam Blowers
Elenco: Hugh Jackman, Andy Serkins, Kate Winslet, Ian McKellen.

Mariana Souto
marianasouto@gmail.com
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