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Quando as Luzes se Apagam


Em 2013 os amantes do horror se assombraram com o maravilhoso curta metragem Lights Out [assista abaixo], que fez tanto barulho na web, sendo o diretor David F. Sandberg convidado a produzir uma versão longa da assustadora criatura que só aparece no escuro. Quando as Luzes se Apagam é uma estréia eficiente de Sandberg, que tem seus bons sustos, um bom conceito, uma ótima e assustadora criatura, mas escorrega na superficialidade do roteiro. Tão logo as luzes do cinema se ascendem Diana já não mais nos aterroriza, o que é uma pena, pois a produção tinha potencial para nos fazer, ao menos por uma noite, dormir com as luzes acessas.


A ótima criatura, Diana, é disparada o maior acerto do longa. Tem um quê de Mama, sobretudo no aspecto visual do "bicho", mas também lembra a conexão feminina da "entidade" com filmes japoneses como O Chamado e O Grito, o que são ótimas referências. Logo no início a direção sensível de Sandberg já faz uma bela citação ao curta, em uma cena em que utiliza a mesma atriz do filme de 2013. Ambientado em locais escuros e com poucas luzes, Quando as Luzes se Apagam é eficiente em criar a atmosfera de tensão que deseja e entrega os sustos no nível esperado pelos espectadores. Então qual é o problema? O desenvolvimento dos personagens além de ser simplista, o roteiro não tem a menor vergonha jogar as explicações da trama no colo do espectador. Pega aí e engula. Funciona, mas soa como comer um bife de Filet Mignon, mas sem tempero. Opa, continua sendo um filet, mas o gosto poderia ser realçado. Até a esforçada atuação da mãe louca (Maria Bello) e a relação conturbada com a filha (Teresa Palmer) não é bem explorada como deveria, o que ajudaria a elevar o impacto da conclusão da trama. Mas é o velho problema dos estúdios em acharem que horror tem que apenas assustar. Nesse quesito o longa seria, certamente, quatro estrelas. Mas é preciso querer mais.

Geeeeeeeeesssssuiiiisssss acende a luz!!!

Quando as Luzes se Apagam é um passo inicial e importante para a carreira de um promissor diretor e mesmo com suas leves escorregadas atinge o objetivo básico de um filme de terror: criar tensão, dar bons sustos e fazer a platéia dizer "Pelo amor de Deus... Jesus... NussaSinhora". A sensibilidade da direção de David F. Sandberg, com pequenas doses de humor em cenas extremamente tensas, fez esse cinéfilo, pela primeira vez, ver uma platéia inteira bater palmas no meio do filme por conta de uma sacada envolvendo a importância da luzes no conceito do filme. Algo raro e que merece elogios. Só não sei se vão conseguir transformar a produção em uma franquia, por conta da resolução final, mas já viu né, roteirista de terror dá jeito pra tudo. Só não pode é escrever a noite e com poucas luzes, afinal, vai que Diana queira se vingar do roteirista.

Ps.: Eu sei que vão perguntar e respondo: o curta é melhor que o longa. Nem sempre ter muito tempo e mais dinheiro resulta em um melhor resultado.



Quando as Luzes se Apagam (2016)
Direção: David F. Sandberg
http://www.imdb.com/title/tt4786282/

  Gilvan Marçal - gilvan@gmail.com
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