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Interestelar

O maior mérito do exuberante trabalho da trupe Nolan ( Christopher e Jonathan) em Interestelar é consegui tratar de forma palpável algo tão abstrato como teoria da relatividade, espaço/tempo, física quântica e buracos negros, em um filme com um bom ritmo e emocionalmente eficiente. Com um ótimo elenco de base, Matthew McConaughey foi a escolha certa para interpretar o fazendeiro/astronauta a procura da salvação da humanidade. Dentro da complexidade proposta pelos irmãos Nolan o resultado do filme é fantástico. É como se Nolan tivesse conseguido fazer uma revisita ao difícil 2001: Uma Odisseia no Espaço, de Kubrick, mas um pouco mais acessível ao grande público. Claro que o filme perde um pouco ao tentar ser mais degustável, mas permite que mais pessoas consigam curtir um filme de ficção científica sem achar tedioso.

Curioso é que, ao contrário de Gravidade, os efeitos visuais do filme não são extraordinários, apenas corretos. O que é compreensível, afinal, Nolan parece mais interessado em guiar o espectador nesse emaranhado de viagem espacial, gravidade, viagem no tempo e maluquices físicas. Mais interessante que o espaço, é o que está acontecendo dentro das pessoas. Essa escolha conceitual é fundamental para alinhar a força da narrativa na relação de Coper (McConaughey) e a filha Murph ( Mackenzie Foy e Jessica Chastain). Talvez a visão sensível do roteiro, linkando amor e física, possa assustar os nerds mais ortodoxos. Ainda que não seja primoroso, é notável o esforço para a história flua e funcione. Pra mim, funcionou. Minha esposa, que detesta ficção científica ficou interessada em saber, como acaba a história de Cooper. Claro que ela ficou enroscada no ato final, dentro do buraco negro, sem compreender se ele estava vivo ou morto. De toda forma, uma história pode não ser maravilhosa, mas é importante que ela toque quem escuta ou quem vê.

Embora inferior ao espetacular A Origem, Interestelar é um trabalho ambicioso e contundente dos irmãos Nolan, e que merece ser apreciado. Ainda falta muito para chegar em um 2001: Uma Odisseia no Espaço, mas orbitou próximo a outro clássico do gênero, Contato. Ainda há muito a debater sobre buracos negros e buracos de minhoca, mas é interessante ver o cinema levando esses temas pouco conhecidos para os espectadores. A ambição artística dos irmãos Nolan, embora tenha lá seus tropeços, é algo primordial para o cinema mundial que anda muito bitolado em fórmulas prontas de sucessos e adaptações literárias certas do retorno financeiro. Os Nolan se arriscaram em um filme raro, difícil, e conseguiram, ao menos, prender nossa atenção por mais de duas horas e meia. Prefiro um filme arrojado com defeitos, a um filme seguro que nada ou pouco acrescente.

PS.: Uma pena que a discussão filosófica sobre a degradação do planeta tenha sido tão rasa. Perderam uma ótima oportunidade.    



Interestelar (2014)
Direção: Christopher Nolan
http://www.imdb.com/title/tt0816692/

Gilvan Marçal - gilvan@gmail.com
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