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Êxodo: Deuses e Reis

Curioso termos duas grandes produções baseadas em histórias bíblicas na temporada. A primeira e acertada empreitada foi o eficiente Noé, de Darren Aronofsky. O competente  Ridley Scott (O Gladiador e Blade Runner) tenta trazer uma visão moderna sobre o embate de Ramsés e Moisés que culmina com a libertação dos hebreus e a famosa abertura do Mar Vermelho. O resultado é um filme agradável, mas que peca em ser excessivamente carregado pelo talento de Christian Bale (Moisés) e enxergar pouco o trama sobre o prisma egípcio.

O mais interessante é a maneira racionalista como Deus e as manifestações divinas, citadas na Bíblia, são tratadas pelo filme. Há uma citação inteligente com uma espécie de "cientista egípcio" que explica racionalmente as primeiras das dez pragas que assolaram o Egito. Essa visão também é bem trabalhada no personagem de Moisés, opondo fé e racionalidade. Algo também visto no protagonista do filme Noé.

O que diminui o longa é a baixa expressividade do antagonista, Ramsés, interpretado pelo pouco eficiente Joel Edgerton. O roteiro se concentra demais nos protagonistas e não explora as margens da história, como o drama da escravidão do hebreus e a necessidade de se manter no poder dos egípcios. Não é coincidência que os personagens de Ben Kingsley, pelos hebreus, e Sigourney Weaver, dos egípcios, são totalmente desperdiçados. Embora ainda longe do clássico Os Dez Mandamentos, do mestre Cecil B. DeMille, Êxodo: Deuses e Reis é mais uma boa tentativa de resgatar o gênero bíblico para os cinemas. Só não sei se os fieis seguidores do livro mais lido do mundo gostam dessas versões um tanto racionalistas e banhadas a muito sangue.



Êxodo: Deuses e Reis (2014)
Direção: Ridley Scott
http://www.imdb.com/title/tt1528100/

Gilvan Marçal - gilvan@gmail.com
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