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Prison Break - 4x21 e 4x22 (Final da Série)

Prison Break apresentou um final digno ao fãs que desde de 2005 acompanham está série permeada de reviravoltas, conspirações e a genialidade de Michael Scolfield. Natural que os dois últimos episódios fossem uma síntese de toda a série, e o foi. Não consigo me lembrar de tantas reviravoltas em tão poucos episódios como ocorreu nestes dois que fecharam a série. Ação, drama e o coração na mão por quase duas horas, e enfim, a saga de Scofield e Burrows chegou ao final.

A volta de alguns personagens soou como um agradecimento da série aos atores e mesmo um alívio para os fãs destes. Ver Sucre no final me deixou feliz, como me instigou o retorno Kellerman. No entanto o que mais me tocou, não foi o trágico e sensato final, mas a frieza de Michael ao apertar o gatilho contra a própria mãe. (In)Felizmente, ou não, a arma falhou. Nosso herói passou por muita coisa nestes quatro anos para salvar o irmão, e ainda assim, a mãe dele atirou em todo este esforço. Portanto, Michael também atirou. Achei tocante e forte essa cena.

Sou um grande fã do trabalho realizado por Robert Knepper, que interpreta T-Bag, que no último episódio deu seu showzinho particular numa das mais repugnantes cenas de toda a série. O nojo que esse estupendo ator nos provoca é algo sensacional. Todos nós fãs da séries torcemos para que T-Bag fosse morto, e se possível, com toques de crueldade. Ao fim da jornada ele acaba voltando ao início, sendo o gigolô do bolsinho. Morrer é fácil, viver e retornar ao começo em Fox River deve ter sido muito doloroso. Ele mereceu.

Chega-se ao fim, todos estão bem e livres. No entanto, Scolfield falece anos depois em função da doença que afetava o cérebro. As rimas visuais com o filho de Michael, que leva o mesmo nome, ao mostrá-lo tatuando o braço, já nos prepara para as lágrimas. E elas vem. Mais do que a genialidade dele, perdemos um ser humano inigualável, que abdicou da segurança do seu mundo, por amor ao irmão. E nem irmão sanguíneo Burrows era na verdade, o que eleva a dor desta perda a um patamar ainda mais alto. Minha esposa, companheira constante de cada episódio desta série, se afundou em lágrimas. Eu tentei me conter, mas não foi possível. Não chorei só a morte de Scolfield, chorei o fim de Prison Break. Sentirei saudades. Mas como na morte, a saudade é coisa boa. É uma referência eterna que temos daquele que se foi. Fica estabelecido em mim, e nos demais fãs de Prison Break o alto nível para este estilo de narrativa com intrigas conspiratórias e fugas mirabolantes. Um fim digno de para uma série fabulosa.

Um parênteses precisa ser aberto no que tange a coragem deste final, com a morte do herói. Na narrativa do cinema, matar o herói é praticamente uma estupidez. Há exceções como em X-Men, só espero que isso se mantenha nos próximos filmes da saga. Já as séries de TV, que andam roubando a audiência dos cinemas, andam revolucionando a narrativa ao aprofundar em temas que antes eram ditos como equivocados. Antes, bandido era bandido até o fim. Agora, o mal pode se tornar bem, como foi na redenção e o fim de Belick. A séries de TV estão experimentando e quebrando convenções narrativas. Em Prison Break, a dor da perda do herói acaba transformando a personagem em uma espécie de mito. A genialidade de Michael salvou a todos, mas não conseguiu evitar que a doença o levasse. Isso traz a imagem do herói para um mundo mais palpável, pois se convive com isso a todo dia, com pessoas boas que se vão tão cedo sem a gente entender direito. É esta sensibilidade que as séries de TV andam esbanjando, e o cinema carece. Analisando a morte de Scolfield pelo ponto de vista da propriedade intelectual dos criadores da série, matar o herói evita que futuramente algum produtor ganancioso ressuscite-o para uma nova empreitada caça-níquel. Uma série corajosa como essa, tinha que acabar com algo realmente diferenciado.

Agora resta esperar o DVD The Final Break, que será lançado em julho, com dois novos episódios que vão explorar mais a fundo alguns dos eventos antes da morte de Scolfield.



Prison Break(2009 - Season 4)

Gilvan Marçal - gilvan@gmail.com
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