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Avatar


A mais nova mágica cinematográfica de James Cameron, Avatar, é muito mais que um belíssimo filme, com história simples e pungente, cercada de apetrechos tecnológicos de cair o queixo. É um pedido de Hollywood - "Por favor, voltem ao cinema". Convite feito, os espectadores compareceram, e a festa audiovisual-3D, dificilmente vai sair das retinas dos milhões pelo mundo que já puderam apreciar essa obra.

O que faz o longa dos humanóides azuis de Pandora soar tão esplendoroso é o momento. James Cameron tem uma habilidade ímpar de dar ao mundo o filme certo, na hora certa. Avatar é mais que um filme, é um acontecimento que vai para além da sala escura. O talento de Cameron não se satisfaz em só dirigir, mas também em contribuir para evolução do cinema. O homem que gritou que era o "Rei do Mundo", ao contrário do que os críticos mais ranzinzas debocharam, de fato, é muito maior do que imaginávamos. E diante de Avatar, é preciso reconhecer, que Cameron caminha, a bons passos, rumo ao olimpo em que se encontram os gênios do cinema.

Destrinchando Avatar - O longa foi pensado de forma hábil para entreter o espectador mais simples, que vai ao cinema em busca de uma aventura que o satisfaça por algumas horas, e também o cinéfilo mais voraz, por meio de todos os apetrechos visuais e tecnológicos. A produção, capitaneada por Cameron, se preocupa em agradar cada um desses públicos. Do visual dreadlock com piercings dos Na'Vi, claramente voltado para o público infanto-juvenil, à nova forma de utilizar os recursos em 3D, que levou muitos curiosos à salas de cinema para conferir. Mas todas essas estratégias não funcionariam se a base não fosse bem feita, ou seja, uma boa estória em um bom filme.

A estória de redenção e luta do povo mais fraco contra o mais forte já foi contada várias vezes e Cameron simplesmente, a deu uma nova roupagem.  O roteiro é bem simples, com diálogos comuns, mas que não soam rasteiros. O que muitos avaliam como o setor menos rico dos filmes de Cameron, os roteiros, ao meu ver, é o modelo com a qual ele consegue se comunicar com seu gigantesco público. Se ele deseja mostrar sua obra a muitas pessoas, ele a escreve de forma que todas consigam entender e se satisfazer. O roteiro não precisa ser intrincado, cheio de diálogos bacanas e viradas monumentais, ele precisa é funcionar. Com roteiros longe de serem brilhantes, mas bem funcionais, Cameron tem hoje, 8/1/2010, as duas maiores bilheterias da história do cinema - Titanic e Avatar. Será que tanta gente é estúpida ou Cameron sabe mesmo como contar uma estória?

O roteiro ainda possui algumas camadas bem interessantes. A abordagem ecológica nos faz refletir sobre a relação que temos com o planeta e também enxergar no modo de vida rústico dos Na'Vi a simplicidade com que viviam nossos antepassados. Há também ironias críticas sobre o modelo americano de combate ao terrorismo, quando Coronel Quaritch (Stephen Lang) se apropria do bordão, Made in BUSH, com direito a sotaque sulista: "iremos combater o terror com terror". Outra referência clara é às torres do World Trade Center, quando da queda da Grande Árvore. Ambas as cenas podem soar clichê hoje, e acredito que são. Contudo, daqui há 30 anos, elas irão contextualizar a época em que o filme foi realizado.

O ponto alto do longa são, sem dúvida, os efeitos visuais. Assim como Peter Jackson na Trilogia O Senhor dos Anéis, Cameron usa a tecnologia para emoldurar a estória. E se pensarmos Avatar como uma pintura, certamente, passaríamos um longo tempo apreciando a riqueza de detalhes do cenário. A flora e fauna de Pandora é belíssimamente apresentada, e com os recursos 3D, as folhas parecem cair sobre os espectadores. Mas o que assombra mesmo é o desempenho da computação gráfica (CG) na concepção dos Na'Vi. A Weta Digital, empresa responsável pelos efeitos da Trilogia O Senhor do Anéis, evoluiu muito a capacidade de captura de movimentos, que é realizada em atores e transferida para as personagens em CG. Com essa tecnologia eles surpreenderam o mundo com o Gollum, interpretado por Andy Serkis. Porém, o asqueroso perseguidor do Anel [My Preciousssss] fica muito aquem dos Na´Vi. Basta uma apreciação cuidadosa das expressões de Neytiri (Zoe Saldana), e pode-se perceber cada nuance de sentimento na face dela. Um trabalho impecável.



Terceira Dimensão - Todo o frisson causado às vésperas da estréia, muito advinha, das especulações sobre o uso dos recursos em 3D. No fim das contas o 3D funciona como mais uma alegoria para o filme, e, é utilizada da mesma forma inteligente com que Cameron sempre usou os efeitos visuais. Ainda há muito o que se estudar e experimentar no cinema em relação ao 3D, e Avatar cumpriu seu papel em mostrar como o recurso pode ser utilizado, sobretudo associado ao marketing. Assisti a versão tridimensional por conta do frisson criado, mas não acho que o filme vá perder força ao ser apreciado em DVD ou Blueray. Flechas e tiros que saem da tela em direção ao espectador nunca salvarão um filme ruim. Bonito é ver em Avatar a profundidade de alguns cenários, sobretudo na floresta, na já mencionada cena das folhas caindo. Essa experiência é muito bacana, e só pode ser vivenciada no cinema. A diferença do cinema e do Blueray/DVD é a percepção da experiência, mas isso, no fundo, sempre existiu. Cameron usou o 3D para que as pessoas lembrassem do poder da sala escura.

Ponto Fraco -  Dois pontos me chamara a atenção negativamente. Primeiro é a pouco emotiva trilha sonora de James Horner, colaborador de Cameron também em Titanic. A trilha apenas ampara as cenas, e nunca as elevam a um patamar ainda maior. Um pecado, mas falta mesmo aos filmes de Cameron as músicas temas de trilha que tanto identificam a cinematografia de Spielberg e seu fiel parceiro John Williams. Outro problema é a dificuldade que o espectador tem para entrar emocionalmente no filme.O filme não consegue o mesmo engajamento ofegante e até "afogante" que o público teve em Titanic. Alguns espectadores assistem um tanto de fora a estória, o que poderia explicar algumas críticas mais ácidas ao filme. A atuação apenas boa de Sam Worthington, como o protagonista Jake Sully, bem que poderia estar mais próxima do ótimo. Quem sabe nos próximos filmes.

É meu amigo, vão ter mais filmes. Pandora é apenas uma das luas de um planeta ainda maior. Cameron voltará a essa odisséia dentro de alguns anos, e felizmente, faremos novamente imensas filas nos cinemas para acompanhar os próximos capítulos. Ainda bem que o rei voltou.

Avatar deu o pontapé inicial para uma possível nova etapa do cinema hollywoodiano. Acredito que seja o início de uma bela saga, ao estilo Star Wars, para a geração do século 21. A mulecada vai ver e rever, comprar DVD/Blueray e várias bugigangas. E é essa magia que faz de Avatar mais que um filme, mas também uma experiência. Daqui uns 20 anos, você poderá falar em um mesa de bar sobre como foi assistir esse "filmão". E olha que é só o começo. Lembre-se que O Exterminador do Futuro 2 é infinitamente melhor que o primeiro.



Avatar(2009)
Direção: James Cameron
Duração: 2h46

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